Close

RESENHA: A BESTA DE PASADENA – ILMAR PENNA MARINHO JR (JAGUATIRICA)

A Besta de Pasadena, de Ilmar Penna Marinho Júnior, publicado pela Editora Jaguatirica, encerra a Trilogia do Apocalipse.  O rastro da besta fez uma grande desordem no cenário político brasileiro, disseminando um poderoso esquema de corrupção.  Com a volta do misterioso quadro ao seu devido lugar no Castelo de Angers, na França, surge a Operação Lava Jato e os primeiros indícios de um dos maiores escândalo de corrupção no país.
A volta do quadro 75, da Besta Aprisionada por Mil Anos, para novamente se juntar à Tapeçaria do Apocalipse, coincidiu com o início de uma das maiores operações que investigou grandes nomes do cenário político e empresarial do país, a Lava Jato. É sobre esse assunto que o autor se debruça para encerrar essa série, que na verdade teve seu grande desfecho com o livro anterior.  O que vemos agora é somente os vestígios da passagem do famoso quadro pelo Brasil, e as consequências do retorno do quadro para o Castelo de Angers, que desencadeou o início de uma nova era em nosso país e os primeiros indícios do maior escândalo de corrupção em nossa história.
Acha mesmo que, quando a Besta esteve no Brasil, fez a cabeça dos políticos e dos governantes?  Semeou a corrupção e banalizou a impunidade?
Ilmar Penna uniu ficção com realidade para desenvolver seu enredo.  O autor fez uma minuciosa pesquisa sobre os últimos acontecimentos no cenário político e criou uma trama repleta de detalhes e segredos.  Personagens fictícios interagem com velhos conhecidos do nosso cenário político que, obviamente, ganharam novos nomes em A Besta de Pasadena, mas que facilmente identificamos a cada página.  Para os leitores que não acompanham em detalhes os acontecimentos da Lava Jato, possivelmente, terão dificuldade para separar o real do imaginário.
O título do livro se refere à refinaria de petróleo de Pasadena, localizada na cidade com o mesmo nome, no TexasEstados Unidos.  Adquirida pela Petrosil em 2006, a maior empresa do ramo de petróleo no Brasil, essa negociação acabou sendo objeto de investigação pela Polícia Federal, desencadeando várias outras ações suspeitas que envolviam lavagem de dinheiro e grandes esquemas de propina e corrupção.
Vamos sujar as mãos de petróleo.
Os últimos acontecimentos que pipocavam nos jornais pelo país e pelo mundo, deixaram uma sombra negra pairar sobre a então  presidente Éris, autoridade máxima em nosso país.   Denúncias de financiamento ilegal a políticos seriam manchetes diárias.   O mensalão ganhava destaque, revelando negócios escusos.  Os rumores sobre a prisão de um poderoso doleiro, que prestava serviços para influentes figurões da República, seriam somente um pequeno fio de um emaranhado de linhas encontrado por uma grande operação da Polícia Federal que prometia combater a corrupção no Brasil.
Em meados de 2006, quando era presidente do Conselho de Administração da PetrosilÉris aprovara a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas.  Agora, havia uma minuciosa investigação que suspeitava existir um esquema criminoso de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a compra milionária da refinaria.  Os bastidores do mundo do poder estavam bastante tumultuados.
(…) a corrupção é uma doença contagiosa (…)
Albertinho era ascensorista no prédio da maior e mais lucrativa empresa do país, justamente a Petrosil. A paixão pela empresa veio desde cedo e o acompanhou ao longo dos anos. No sobe e desce do elevador ouvia discussões e frases soltas que decidiriam os rumos dos negócios e, que muitas vezes, estampariam as páginas dos jornais na manhã seguinte. Esse é um dos novos personagens apresentados por Ilmar Penna.
O advogado Eduardo Jr., a repórter Júlia, o delegado Dirceu e o técnico de informática Flávio, mais conhecido como o hacker The Flash, também estão de volta nessa história.    Eduardo ganhou ainda mais fama, tornando-se um respeitado criminalista que livrava vários figurões de acusações e escândalos. Seu casamento com Júlia, a repórter investigativa, acabaria enfrentando uma crise por diferenças de ideias.
A advocacia não pode ter limites ou não é advocacia.
Júlia viu a forma de jornalismo mudar diante de seus olhos.  As notícias em plena era digital não se restringia mais aos jornais e revistas.  As redes sociais, blogs e sites bombavam a cada novo acontecimento em nosso cenário político.  Ela se reinventou para acompanhar as novidades e, cada vez mais, ganhava confiança e respeito no meio.

(…) absolutamente ninguém está acima das leis, nem mesmo os mais poderosos (…)
Dinheiro, vingança, prostituição, chantagem, lavagem de dinheiro, corrupção, agressão contra as mulheres, são somente alguns assuntos tratados pelo autor.  Os primeiros acordos e depoimentos que deram início aos processos de delações premiadas também ganharam destaque nas páginas de Besta de Pasadena.
Não posso deixar de lutar.
Com 368 páginas, o autor encerra essa trilogia deixando uma esperança de que podemos ter dias melhores pela frente.  As folhas são amareladas, com fonte e espaçamento confortável.  Os livros da trilogia são lindos e as capas têm letras em relevo e metálicas.  Uma linda coleção.  A foto da capa é do prédio da prefeitura da cidade de Pasadena.  A diagramação e revisão foram bem feitas.  É uma ótima dica, principalmente para quem gosta de temas políticos, já que esse é o assunto central desse enredo.
Confiram as resenhas dos volumes anteriores:
 

A Besta de Pasadena (Trilogia do Apocalipse #3)
 https://www.editorajaguatirica.com.br/livros1/ficcao/a-besta-dos-mil-anos/Autor:  Ilmar Penna Marinho Júnior
Editora Jaguatirica
Edição: 1ª (2019)
Páginas:  368
Formato: 14x21cm
ISBN 978-85-5662-195-5

Fonte: https://www.atraentemente.com.br/2019/05/resenha-besta-de-pasadena-ilmar-penna.html

 

 

 

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *